quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Incertezas

O que é a vida? Será uma efémera aventura? Ou é apenas o prelúdio, a preparação, para a verdadeira aventura? Talvez haja algo mais. Talvez, porque nós, humanos, temos como uma das características da nossa espécie o facto de não podermos ter a certeza daquilo a que chamamos factos. Se pensarmos que as leis da gravidade se aplicam a todas as situações, então há uma probabilidade astronómica de que estamos errados, mesmo que as nossas estatísticas mostrem que está certa. Teríamos de ser algo mais que humanos para termos certezas que estejam correctamente certas.
Podemos fazer o melhor que conseguimos, mas a verdade é que nem sempre isso é o suficiente ou, numa visão mais pessimista, é sempre insuficiente. E muitas vezes nem tentamos, ou desviamos os nossos esforços para os empreendimentos errados.
Não quero certezas, quero resultados que melhorem a vida de todos.
Não quero o progresso pela simples noção de que estamos a progredir, quero o progresso para a preservação do que somos.
Não quero riqueza e luxo, quero sobrevivência e conforto.
Poderia dizer: “Não vamos desistir! Vai tudo correr bem. Um dia vamos deixar de viver na escuridão e vamos conseguir descobrir como resolver a maioria dos problemas globais. Já estamos a dirigir-nos nessa direcção.”
Eu quero acreditar nisso. Quero acreditar que, um dia, problemas como a fome, o terrorismo, o cancro, a SIDA, a depressão e as crises de ansiedade podem ser resolvidas de forma “pacífica”.
Mas é difícil pensar dessa forma quando pessoas à nossa volta, pessoas que amamos, estão a sofrer desses males. É difícil não ficar com raiva da raça humana quando pensamos que já foi inventada uma tecnologia que consegue matar milhões de pessoas com o premir de um botão, mas ainda não foi inventada uma forma de destruir, com segurança, células cancerígenas.
Não sei se quando morrermos vai haver algo mais. Se houver, esperemos que haja a segurança de não nos ser permitido matar-nos uns aos outros outra vez (sem falar no planeta Terra). Se não, se é só isto… Bem, acho que não nos resta mais nada além de fazer o melhor que podemos, estar com aqueles que amamos, desfrutar a vida da forma que conseguirmos (sem prejudicar os outros) e esperar que tudo corra bem.
Eu perguntei o que é a vida. Como humano que sou, não tenho a resposta correcta. Só acho que sei uma coisa: a vida humana é para ser preservada. E protegida, mesmo de nós próprios.

1 comentário:

  1. Muito bonito. E verdadeiro.
    Bem-vindo ao mundo dos blogs, Flyingviolets ;)

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